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Diagnóstico

Infiltração na laje: o que fazer, e o que não adianta

A mancha mostra onde a água sai, não onde ela entra. Descubra a entrada primeiro; o conserto é lá.

8 min de leitura

Esse caso não se resolve com produto de prateleira

Aqui a água não vem de onde parece, e passar produto por cima só adia o problema — e encarece o conserto quando ele voltar. Vale conversar antes de comprar qualquer coisa.

Falar com quem faz

A gente não executa obra. Entende o caso e encaminha pra empresa certa — é assim que o site se paga, e é por isso que não temos motivo pra te empurrar a solução mais cara.

Quase toda mensagem de infiltração que chega pra gente começa igual: uma mancha no teto, às vezes uma gota, e a pergunta “o que eu passo aí?”. Algumas já vêm com uma história de conserto que não deu certo:

“Tenho uma área de 72 m² externa, com manta, piso antiderrapante porcelanato e rejunte epóxi, porém está dando muita infiltração no teto inferior.”

Manta, porcelanato e rejunte epóxi: é o pacote que se vende como definitivo. E a água passou mesmo assim.

Isso não quer dizer que a manta estava errada ou que o rejunte era ruim. Quase sempre quer dizer que a água está entrando por um lugar que ninguém olhou. E o primeiro passo pra achar esse lugar é desconfiar da própria mancha.

3entradas mais comuns: ralo, encontro do piso com a parede e soleira
1 perguntaque decide o conserto: a laje tem piso por cima?
72 hde teste com água que a norma pede antes de fechar uma impermeabilização
Teto com a pintura descascando e manchada por infiltração.
A pintura estufa e descasca onde a água sai. O caminho até ali começou em outro lugar. Foto ilustrativa: Tomwsulcer, Wikimedia Commons, domínio público (CC0).

A mancha mostra onde a água sai, não onde ela entra

Numa laje com piso, a água que passa pelo piso não desce em linha reta. Ela chega na laje e anda por cima dela, por baixo do contrapiso, seguindo o caimento, até achar uma trinca, um ponto mais baixo ou a passagem de um cano. Só aí ela desce e aparece no teto de baixo.

Por isso a mancha pode estar a dois, três metros do ponto por onde a água entrou. E por isso o conserto mais intuitivo, tapar a trinca que aparece no teto, quase nunca funciona: ele fecha a saída, não a entrada. A água continua chegando e procura outra saída, que costuma ser a trinca do lado.

Tem ainda um problema a mais em consertar por baixo: o produto aplicado no teto fica do lado contrário ao da água. Ela empurra o produto em vez de ser segurada por ele, e o produto descola. É o mesmo motivo pelo qual impermeabilizar a parede da garagem pelo lado de dentro não segura água de subsolo — explicado em qual o melhor impermeabilizante para laje, na terceira pergunta.

Laje de concreto vista por baixo, coberta de crostas brancas de salitre.
O pó branco é salitre: sais do próprio concreto que a água arrasta quando atravessa a laje. Raspar e pintar por baixo não para a água. Foto ilustrativa: Achim Hering, Wikimedia Commons, CC BY 3.0. Redimensionada.

Quem tem laje com piso e infiltração está, quase sempre, no caso da impermeabilização de laje sem quebrar o piso. Mas antes de chamar alguém, dá pra descobrir bastante coisa sozinho.

Quatro coisas pra olhar antes de chamar alguém

1. Quando a mancha aparece?

Três casos: só quando chove, a água vem de cima; em dia seco ou depois do banho, pode ser cano; logo depois de lavar a área, ralo ou soleira.
A hora em que a mancha aparece já separa infiltração de cano furado.
  • Só quando chove, e piora em chuva longa: a água vem de cima. Laje, ralo, encontro do piso com a parede, rufo, calha.
  • Também em dia seco, ou piora quando alguém toma banho ou lava a área: desconfie de cano. Se for vazamento de encanamento, quem resolve é encanador, não impermeabilizador — e nenhuma impermeabilização segura cano furado.
  • Logo depois de lavar o terraço ou a sacada, e não com chuva fraca: costuma ser ralo ou soleira, que recebem muita água de uma vez.

2. Onde ela aparece?

  • Perto da parede, no canto do teto: o suspeito é o encontro do piso com a parede (o rodapé), ou o topo da parede, se a laje tem mureta.
  • No meio do teto: ralo, junta do piso ou uma trinca na laje que recebe a água que andou de outro lugar.
  • Junto de pilar, viga ou passagem de cano: são os pontos onde a laje é interrompida, e onde a impermeabilização mais falha.

3. Molhe por partes

É o teste mais útil que você pode fazer sozinho, e não custa nada. Com alguém embaixo olhando o teto:

Terraço visto de cima dividido em quatro trechos: ralo, faixa junto da parede, soleira da porta e piso do meio.
Um trecho por dia, na ordem. O que trouxer a mancha de volta é por onde a água entra.
  1. Molhe só o ralo com a mangueira por 20 a 30 minutos. Nada mais.
  2. No dia seguinte, com o teto seco, molhe só a faixa junto da parede.
  3. Depois, só a soleira da porta, se a área tiver uma.
  4. Por último, o piso do meio.

A parte que fizer a mancha voltar é a entrada. Pare na hora se começar a pingar — o objetivo é achar o ponto, não molhar o forro de baixo.

4. Já tem impermeabilização?

Se a laje já foi impermeabilizada e infiltra mesmo assim, como no caso lá de cima, a falha quase nunca está no meio da manta. Está nos arremates: em volta do ralo, na subida da manta pela parede, na soleira, nas emendas, nos canos que atravessam a laje. São os mesmos três itens que a tabela oficial de custos da Caixa avisa que não estão incluídos no preço básico do serviço — detalhe em quanto custa impermeabilizar uma laje.

O que não adianta (e por que tanta gente faz)

Pintar o teto de baixo com tinta impermeável ou antimofo. Esconde a mancha por algumas semanas. A água continua chegando por cima, agora sem dar sinal.

Tapar a trinca do teto com massa ou selante. Fecha a saída, não a entrada. A água encontra a trinca vizinha.

Tapar a trinca de cima com massa rígida. A laje dilata no sol e contrai à noite, todo dia. Massa que não estica trinca de novo no mesmo lugar, e o vão vira caminho de água outra vez.

Passar impermeabilizante de balde por cima do piso. Os produtos de prateleira vendidos pra laje são feitos pra aplicar na laje ou no contrapiso, não sobre cerâmica ou porcelanato. Em cima do piso eles adiam o problema por alguns meses — e quando ele volta, alguém tem que tirar o produto antes de fazer o serviço de verdade.

Trocar só o rejunte. Ajuda quando a água entra pelo rejunte. Mas o rejunte epóxi do caso lá de cima mostra o limite: a água que já chega por baixo do piso, pelo ralo ou pela parede, não passa pelo rejunte.

Então, o que resolve

Depende de uma pergunta: a laje tem piso por cima?

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Laje exposta, sem pisoDá pra resolver sozinho, com produto de balde e rolo, se a água vem de cima. As três perguntas pra escolher o produto estão no guia do melhor impermeabilizante.
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Laje com piso, infiltrando embaixoNão é compra, é serviço. Dois caminhos: quebrar o piso e refazer por baixo, ou um sistema aplicado por cima do piso, sem quebrar.

Se a laje tem piso, as opções são duas, e vale conhecer as duas antes de ouvir o primeiro orçamento:

  • Quebrar e refazer. Tira piso e contrapiso, impermeabiliza a laje (geralmente com manta asfáltica), faz contrapiso e piso novos. É o padrão do mercado, funciona bem quando bem feito e o material é mais barato. O custo que ninguém conta está no resto: entulho, piso novo, semanas de área fechada — e numa sacada ou terraço de apartamento, barulho e autorização do condomínio.
  • Aplicar por cima do piso. Existem sistemas flexíveis, reforçados com tela ou fibra, que aderem ao piso existente depois de preparado e viram o novo acabamento. Não quebram nada e tratam ralo, rodapé e soleira na mesma aplicação. Precisam de aplicador com experiência no sistema: é esse o serviço da impermeabilização de laje sem quebrar o piso.
Corte de laje com piso: no primeiro caminho piso e contrapiso saem e entra manta nova; no segundo o piso fica e recebe um sistema flexível por cima.
Os dois funcionam. A diferença está no que sai da sua casa e por quanto tempo a área fica fechada.

Os mesmos dois caminhos valem pra terraço e sacada, onde quebrar costuma sair ainda mais caro porque o piso é difícil de achar igual.

Se a água vem de trás, e não de cima — parede de subsolo que “sua”, mancha na garagem do prédio abaixo do nível da rua —, nada disso se aplica. É outro problema, com outra solução: ver garagem de subsolo.

O que perguntar pra quem for olhar

Antes do preço, quatro perguntas mostram se a pessoa entendeu o seu problema:

  1. Por onde você acha que a água está entrando? Quem já olhou e testou responde com um lugar. Quem responde “vamos impermeabilizar tudo” está orçando sem diagnóstico.
  2. Vai testar antes? Molhar por partes, como no passo 3, ou encher a área com água por um tempo depois do serviço pronto. A norma de execução pede 72 horas de teste com água antes de cobrir uma impermeabilização.
  3. Ralo, rodapé e soleira estão incluídos? São as entradas mais comuns. Se não estão no orçamento, o orçamento não resolve a infiltração.
  4. Precisa quebrar o piso? Por quê? Às vezes precisa. Mas é uma pergunta que merece resposta explicada, não um “tem que”.

Quem responde as quatro com clareza já fez metade do serviço, que é o diagnóstico.

Por onde a água entra e onde a mancha aparece Corte de uma laje com piso. A água da chuva entra pelo ralo e pelo encontro do piso com a parede, anda por cima da laje, por baixo do piso, e só pinga no cômodo de baixo onde encontra uma trinca, longe dos pontos por onde entrou. A mancha no teto aparece nesse lugar, não embaixo da entrada. ① ralo ② encontro do piso com a parede a água anda por cima da laje, por baixo do piso ③ a mancha aparece aqui onde a água achou a trinca teto seco embaixo de onde a água entrou Tapar a trinca do teto, ou só ela, não fecha a entrada. Primeiro se descobre por onde entra; o conserto é lá.
O ralo, o encontro do piso com a parede e a soleira de porta são as entradas mais comuns. A mancha no teto de baixo mostra onde a água saiu, que quase nunca é onde ela entrou.